sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Jack Sparrow, The Pirate Bay, SOPA e PIPA

Perdoai-os, Jack, eles não sabem o que fazer! Via Blog do Kedj
Tenho acompanhado mais ou menos de perto toda essa balbúrdia a respeito da SOPA e da PIPA. Em conversas com amigos sempre repito o mesmo discurso (acho até que já estou ficando chato): o que os congressistas dos EUA -- e também o famigerado Azeredo com seu ai5digital -- querem é nada mais nada menos que parar as forças da natureza. Inútil!

Esse texto do The Pirate Bay (TPB) -- tradução cortesia do Estadão --, embora suspeito, nos fornece informaçoes interessantíssimas e, mais do que isso, vai ao cerne da questão. Simplesmente um novo modelo de negócios está emergindo e a indústria tradicional ainda não se ligou nisso -- ou por idiotice, ou por ignorância, ou simplesmente por teimosia mesmo.

Detalhe: descobri no Blog do E-Commerce que o TPB (não sei se verdadeira a informação) fatura US$ 10 mi por ano. Nada mal, hein? Mas vamos ao texto:


INTERNETS, 18 de janeiro de 2012
Há mais de um século, Thomas Edison conseguiu a patente para um aparelho que faria “para olho o que o fonógrafo fazer para o ouvido”. Ele o chamou de cinetoscópio [Kinetoscope]. Ele não foi apenas o primeiro a gravar vídeo, mas foi também a primeira pessoa a ser dono do copyright de um filme cinematográfico.
Por causa das patentes de Edison para filmes cinematográficos, quase foi financeiramente impossível criar filmes de cinema na costa oeste norte-americana. Os estúdios de cinema, assim, mudaram para a Califórnia e fundaram o que hoje chamamos de Hollywood. A principal razão é que ali não haviam patentes.
Não havia também nada de copyright, então os estúdios podiam copiar velhas histórias e fazer filmes a partir delas – como Fantasia, um dos maiores hits da história da Disney.
Portanto, toda a base dessa indústria, que está hoje aos gritos sobre perda de controle sobre direitos não-materiais, é que eles driblaram direitos não-materiais. Eles copiaram (ou, de acordo com sua terminologia,”roubaram”) as obras criativas de outras pessoas sem pagar por isso. Eles o fizeram para obter grandes lucros. Hoje, eles são todos bem-sucedidos e a maior parte dos estúdios está na lista da Fortune das 500 empresas mais ricas do mundo. Parabéns – está tudo baseado em ser capaz de reutilizar criações de outras pessoas. E hoje eles detém os direitos das criações de outras pessoas. Se você quer lançar alguma coisa, você tem que seguir as regras deles. As regras que eles criaram depois de driblar as regras de outras pessoas.
A razão pela qual eles estão sempre reclamando dos “piratas” hoje é simples. Nós fizemos o que eles fizeram. Nós driblamos as regras que eles criaram e criamos as nossas próprias. Nós esmagamos o seu monopólio ao dar às pessoas algo mais eficiente. Nós permitimos que as pessoas tenham comunicação direta entre si, driblando o intermediário lucrativo, que em alguns casos levar mais que 107% dos lucros (sim, você paga para trabalhar para eles).
Tudo se baseia no fato de que representamos competição.
Provamos que a forma atual como existem não é mais necessária. Somos simplesmente do que eles são.
E a parte engraçado é que as nossas regras são muito similares às ideias que fundaram os EUA. Lutamos pela liberdade de expressão. Enxergamos as pessoas como iguais. Acreditamos que o público, não a elite, deveria governar a nação. Acreditamos que leis deveriam ser criadas para servir o público, não corporações ricas.
O Pirate Bay é uma comunidade verdadeiramente interacional. Nossa equipe está espalhada por todo o globo – mas ficamos fora dos EUA. Temos raízes suecas e um amigo sueco nos disse isso:
A palavra SOPA significa “lixo” em sueco. A palavra PIPA significa “um cano” em sueco. É claro que isso não é coincidência. Eles querem tornar a internet um cano de mão única. Eles por cima empurrando lixo cano abaixo para o resto de nós, consumidores obedientes.
A opinião pública nesse assunto é clara. Pergunte a qualquer um na rua e você vai descobrir que ninguém quer ser alimentado com lixo. Por que o governo americano quer que o povo americano seja alimentado com lixo foge à nossa compreensão, mas esperamos que você o impeça, antes que afoguemos todos.
A Sopa não pode fazer nada para brecar o Pirate Bay. Na pior das hipóteses, mudaremos o domínio principal: do atual .org para uma das centenas de nomes que também já usamos. Em países onde estamos bloqueados (os nomes China e Arábia Saudita são os primeiros que vêm à cabeça), eles bloqueiam centenas de nomes de domínios nossos. E adianta? Não muito.
Para consertar o “problema da pirataria” deveria se ir à raiz do problema. A indústria do entretenimento diz que eles estão criando “cultura”, mas o que eles realmente fazem é vender coisas como bonecas caríssimas e fazer meninas de 11 anos se tornar anoréxicas. Seja de trabalhar nas fábricas que criam as bonecas por praticamente salário nenhum, seja por assistir filmes e programas de TV que as fazem pensar que são gordas.
No grande jogo de computador de Sid Meiers, Civilization, você pode construir maravilhas do mundo. Um dos mais poderosos é Hollywood. Com ele, você controla toda a cultura e mídia do mundo. Rupert Murdoch ficou feliz com MySpace e não via problemas com sua própria pirataria até seu fracasso. Agora ele reclama que o Google é a maior fonte de pirataria do mundo — porque ele está com ciúmes. Ele deseja manter seu controle mental sobre as pessoas e está claro que você consegue um visão mais honesta das coisas na Wikipedia e no Google do que na Fox News.
Alguns dos fatos (anos, datas) nesse texto estão provavelmente erradas. O motivo é que não podemos acessar essas informações quando a Wikipedia está fora do ar. Por causa da pressão de nossos rivais decadentes. Pedimos desculpas por isso.
—THE PIRATE BAY, (K)2012


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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Feliz 2000 e dose(s)!

É, não resisti e estou fazendo o último texto de 2011 tão somente para desejar aquilo de sempre. Mas, de um jeito divertido, copiado (obviamente) de um cartão que vi no Facebook. É isso aí, Feliz 2000 e dose(s).

A Sauza Gold também é boa e custa menos, mas o importante é bebemorar. Via Wine Report
Nos encontramos no futuro!

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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Watchmen: Origins (por que não nós? -- ou, ainda, chupa DC)

Ainda em 2009 escrevi um breve texto sobre a aclamada HQ Watchmen, de Dave Gibbons e do um-tanto-quanto-esquisito Alan Moore -- criador de outras tantas histórias altamente recomendáveis, como, por exemplo, A Piada Mortal. Se não souber do que se trata, dá uma olhada lá e volta aqui, que o assunto é sério (mas nem tanto).


Vai deixar a (des)continuação de Watchmen nas mãos da DC ou vai fazer algo a respeito?
Imagem via oesquema - Trabalho Sujo

Ocorre que neste ano de 2011 tornou-se pública a intenção de a DC, editora "dona" da obra, fazer mais histórias sobre aqueles personagens. A última notícia que tive foi que eles pretendem fazer prequels, histórias anteriores à do original. Ora, uma obra-prima é uma obra-prima e como tal deveria ser tratada. Um dos grandes acertos do filme foi manter-se relativamente próximo à história original -- eu pessoalmente preferia que tivessem feito uma série à la HBO, mas, como eu não podia dar pitaco, aceitei o que veio.

Imagine eles fazerem um filme explicando a razão pela qual os pássaros ficaram doidões no filme do Hitchcock; ou o que aconteceu depois que Bogart e Bergman disseram seu último (?) adeus em Casablanca. Relembre a merda que foi a refilmagem de Psicose e a retomada da saga Guerra nas Estrelas pelo senhor George Lucas.

Ok, ok, pode ser que aconteça um milagre e saia algo até razoavelmente bom. Mas também pode ser que não, e é aí que entra o motivo de escrever esse post.

Vamos ao que interessa?
A ideia é a seguinte: em vez de deixar o negócio nas mãos da DC, por que não criarmos, nós mesmos fãs, o tal de Watchmen: Origins -- ou, como diz um amigo, Watchmen -1? Parto do princípio de que, se há gente talentosa e com tempo para fazer aqueles traillers fantásticos (tipo Thundercats, e que dão um trabalho danado), por que não haveria gente gabaritada para criar e ilustrar as histórias?

Também não precisa ser origem, embora criar as histórias nesse contexto atinja diretamente os planos da DC. Claro, o tiro pode sair pela culatra, e o buzz gerado, se a crowd realmente encampar essa ideia, pode até ajudar a vender o que quer que seja que a editora venha a lançar.

Mas você não acha que vale a pena tentar?? Eu acho. Aliás, porque ficar só em Watchmen? Alan Moore também escreveu V de Vingança, Frank Miller fez um monte da coisas geniais e por aí vai...


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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Redes sociais, fluzz e a fila de feijoada

Estou lendo o livro do Augusto de Franco, Fluzz, e ele é simplesmente de pirar o cabeção. Não sei se concordo (ainda) com tudo que o cara defende ali -- nem sei se é o caso de concordar --, mas que faz muito sentido, ah, isso faz.

Isso é a fila da feijoada da Grande Rio? Totalmente anti-fluzz. Via BNPress /  Antonio Kämpffe

A ideia central da coisa é que o(s) mundo(s) hiperconectados do presente/futuro tendem a formar redes sociais mais distribuídas que centralizadas, e isso fará toda a diferença no forma como a(s) sociedade(s) se organiza(rão). O motivo é que, a partir do momento em que as pessoas se organizam em redes mais centralizadas que distribuídas, ocorre o fenômeno da hierarquia e isso é completamente anti-fluzz -- que seria algo como o fluxo das interações entre as pessoas (que também são redes).

Perdido(a)??? Leia este meu outro post e também acesse a Escola de Redes e também dê uma olhada no livro do cara, que você vai começar a entender melhor. Mas antes disso, e eis o por quê de um post com esse título aí em cima, deixa dar um exemplo de como a centralização atrapalha a vida da gente.

A Fila da Feijoada
Onde trabalho tem um restaurante que toda sexta-feira inclui no cardápio uma feijoada (até razoável). É self-service a quilo, tem um balcão comprido com os mesmos pratos se repetindo de ambos os lados. No dia da feijoada, o que os caras fazem? Colocam o prato principal em apenas uma das cabeceiras do balcão, o que gera uma fila enorme. Resultado: um momento que poderia e deveria ser de satisfação, acaba eventualmente gerando stress.

Tudo porque a feijoada forma o nodo de uma rede mais centralizada que distribuída -- aliás, no caso, completamente centralizada. Se o pessoal do restaurante descentralizasse a bichinha e colocasse também na outra cabeceira do balcão, o fluxo de pessoas-redes já fluiría melhor, mais rápido e com menos stress. Se eles distribuíssem o prato por mais lugares, aí era só alegria.

Exemplos prosaicos como esse existem aos montes por aí, nas mais diversas situações cotidianas. Trânsito em cidade grande é um. Fla x Flu na final do carioca é outro -- tanto para entrar quanto para sair do estádio. Também é possível visualizar isso dentro das empresas (hierárquias por natureza) e, especialmente, em órgãos públicos, nos quais a hierarquia é legalista e "burrocrática".

Você saberia dar algum exemplo? Comente e compartilhe com a gente. Inté+.



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domingo, 27 de novembro de 2011

Essas tais de redes sociais -- e não estou falando de facebook e twitter e afins

Esse diagrama é simplesmente fantástico -- e altamente esclarecedor!

Em 2010 participei pela segunda vez de um fórum de comunicação anual que acontece em São Paulo/SP. Como sempre, muitas coisas interessantes no meio de algumas nem tanto. Tinha uma palestra sobre redes sociais, e lá fui eu assistí-la, crente que o cara ia destilar tudo e mais um pouco sobre orkut, twitter, facebook, etc, etc, etc. Nada!

Falou, sim, de redes sociais -- aquele negócio que acontece quando cicrano interage com fulano, que interage com beltrano, que vão interagindo e interagindo e interagindo... Não resisti. Ao fim da palestra fui falar com o cara e ele foi curto e grosso. "Acessa 'Escola de Rede' ponto ning'". Tá bom, acessei.

De lá pra cá muita coisa aconteceu: a Beatriz cresceu e tá aparecendo, tenho uma nova chefe, o Brasil não ganhou a copa (mas vai sediar a próxima), temos a primeira presidenta, alguns ministros já cairam, a crise continua... você entendeu! O que não mudou, nem era novidade, foi o conceito de rede social.

No frenesi dos novos tempos, achamos que facebook (aqui tem jabá), twitter, orkut, tumblr, youtube e essas coisas são redes sociais. Tsc, tsc, tsc! Como já falei ali no segundo parágrafo, rede social é o que acontece quando interagimos uns com os outros. Ou seja, esses bichos que apareceram na internet, ajudam a aumentar, acelerar, assoberbar as interações, mas não são redes sociais -- embora por meio deles, as redes sociais se tornem quase que algo concreto (no sentido de que podemos ter uma noção mais precisa de sua existência).

Caos e... Anarquia?
Só que o Augusto de Franco (o cara da palestra e do site Escola de Redes), vai muito além de apenas deixar claro o que é uma coisa e outra. Ele vai fundo numa questão essencial quando se trata de redes -- sua (falta de) centralização. Explique-se: as redes (sociais ou não), podem ser centralizadas, descentralizadas ou distribuídas. Se você parar para dar uma olhadinha na figura acima entenderá a diferença. Note que em cada tipo de rede os pontos estão no mesmo lugar, e que na situação distribuída, poderia haver zilhares de ligações a mais, já que qualquer ponto (nodo) pode ter acesso a qualquer outro.

Entendeu? As redes mais centralizadas que distribuídas são por natureza hierárquicas. Tem alguém (ou algo) que manda, e outrem que (se tiverem juízo) obedecem. No caso das redes mais distribuídas que centralizadas, não costuma haver o mandador, mas líderes que surgem conforme as interações vão ocorrendo.

A mim me parece algo quase que anárquico. Ele, o Augusto, associa a caos mesmo -- que, óbvia e naturalmente, não é a mesma coisa. Mas, quer saber?, minhas reflexões (e ações) sobre comunicação ganharam mil por cento em qualidade, iniciativa e, também, acabativa.

Continuarei a acompanhar e investigar esse negócio de redes sociais (mídias também) -- até porque estou lendo um livro que o cabra lançou e que reúne muitíssimas das ideias, reflexões e pesquisas deste senhor que, digo eu, está para o Brasil assim como Castells está para a América Latina (se não mais).

Quanto eu terminar de ler o livro (Fluzz) talvez eu volte a este assunto. Ou talvez antes. Mas, certamente, e como diria o Exterminador do Futuro, I'll be back! Hasta la vista, baby!




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