IMAGEM E IDENTIDADE: O PLAYBOY E O XERIFE

Dois casos da política norte-americana me chamaram a atenção para um ponto fundamental de qualquer estratégia de comunicação: identidade e imagem. Os casos são o do ex-governador do estado de Nova Iorque (ou New York, se você preferir) e do ex-deputado pelo estado do Texas, Charlie Wilson, recentemente retratado no cinema por Tom Hanks em Jogos de Poder (Charlie Wilson's War).

Como sabemos todos, identidade e imagem não são a mesma coisa. A primeira é aquilo que nós, pessoas e empresas, temos como características próprias. No caso de pessoas, modo de vestir, de falar, de trabalhar, de se relacionar com os outros, de gesticular, etc. São as característcas que definem quem somos. No caso de empresas, é a forma de se relacionar com os clientes, fornecedores, competidores, o caminho pelo qual se definem as coisas (tomada de decisões), a cultura interna, a (des)organização, enfim, as características que definem quem são.

Já imagem é tudo aquilo dito acima só que através dos olhos dos outros. É o modo como se percebem as características de uma pessoa, de um político ou de uma organização. Um exemplo para ilustrar melhor esta diferença: caso de repente o Congresso Nacional se tornasse um exemplo irrefutável, inabalável e insofismável de probidade, dignidade e honestidade - ou seja, caso sua identidade fosse seria e drasticamente alterada, no caso, para muito melhor -, ainda assim, por um bom tempo, teríamos uma péssima imagem daquela Casa dita do povo antes de "cair a ficha" e nos darmos conta de que os nobres congressistas haviam mudado.

Os Casos
Pois bem,vamos ao primeiro caso: Charlie Wilson. Cachaceiro, mulherengo, usuário de drogas, playboy, bon-vivant e por aí vai. Pelo menos é o que dá a entender o filme. No meio da história chega o presidente do Paquistão e diz pra ele que sabe que ele é isso tudo, mas sabe também que ele tem a fama de cumprir as promessas que faz. Embora fosse um político de atuação discreta, conseguiu um grande feito ao direcionar recursos e armas ao Afeganistão na guerra contra a Rússia. Pelo menos é o que está no filme.

Segundo caso: Eliot Spitzer. Ele se envolveu com uma prostituta (a da foto acima - caríssima), o caso veio a público e deu no que deu. "Escândalo" em todos os veículos, retratação pública, olhar de fúria da esposa e renúncia. Saiu do episódio derrotado e desmoralizado, e daqui pra frente sempre que se lembrarem dele, lembrar-se-ão também de prostituição. Não importa se ele foi o melhor governador que Nova Iorque jamais teve. Mas qual foi o problema?

Imagem e identidade

Até onde entendi do filme Jogos de Poder, Wilson não escondia sua condição de playboy e também tece suas diabruras divulgadas na imprensa, além de sofrer processos por participar de festas regadas a álcool, drogas e mulheres da vida. Mas sua imagem e sua identidade eram muito coladas, muito próximas. Quer dizer, a imagem que as pessoas tinham dele não era muito diferente do que ele realmente era, de sua identidade.

O caso do new yorker, é exatamente o contrário. Ex-procurador-geral de Nova Iorque, Spitzer ficou conhecido ao investigar crimes financeiros com um rigor tal que ganhou o apelido de Xerife de Wall Street. Pior, desbaratou redes de prostituição quando no cargo de procurador. Mesmo que ele não tivesse trabalhado conscientemente para isto, sua imagem pública estava atrelada ao combate à corrupção e à prostituição. Deu no que deu.

Moral da História
Seja você uma pessoa comum, um político, ou uma empresa (?!) tente a todo custo fazer com que os outros tenham uma imagem sua a mais próxima possível de sua identidade. Se você é turrão, por exemplo, não tente vender a idéia de que você é bonachão. Se sua empresa polui o meio-ambiente, não tente vender a idéia de que ela ajuda a proteger o planeta. Cedo ou tarde as pessoas descobrem a sua "identidade secreta" e aí, já viu né? Que o diga o Xerife Spitzer.

Dê uma olhada no trailler do filme Jogos de Poder, que retrata a experiência (política) de Charlie Wilson:


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Comentários

  1. Vinicius Barbizani5 de maio de 2008 13:47

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  2. Vinicius Barbizani5 de maio de 2008 13:48

    Muito Legal o artigo Alexandre.

    Tinha visto o filme e não tinha associado e observado com esses olhos.

    Para quem acha que um Relações Públicas é um cara legal que conhece muita gente e trata com panos quentes, tudo e todos, ai vai um bom exemplo do que a profissão faz. - Unir Imagem e Identidade!

    Abraços

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